Este site mudou de endereço

Amigos, nosso site está de cara nova: http://itsnotburger.com

Abraços a todos.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

Que saudade de Minas…

Trabalhei alguns anos com um gordinho desses típicos. Paulistano e purista sobre comida italiana. “Molho à bolonhesa não existe no Brasil, tem que ser feito com salsão, cenoura e cebolinha”, e discursava horas sobre lasanhas, espaguetes à carbonara, molhos e tipos de tomate. A maior vantagem desse cara é que ele sempre descobria um lugar legal para comer em São Paulo, Maceió, Niquelândia ou Joaçaba.

A questão é que nós éramos auditores e não consultores gastronômicos dos guias 4Rodas ou Michelin, então nos sobrava das 18h às 23h para comermos algo que ele havia descoberto, o que não nos impedia de discutir sobre uma espécie de tomate ou uma receita de creme inglês em meio à planilhas do Excel cheias de matrizes de risco de auditoria.

Certa vez em Três Marias, Minas Gerais, fomos fazer um trabalho em uma mineradora. Chegamos de carro na segunda-feira perto do meio-dia direto à empresa. Aqueles refeitórios irritavam esse cara de uma forma que eu chegava a sentir pena, não pelo cardápio, mas pela forma como se trata comida nesses lugares.

À noite, cansados da viagem entre Belo Horizonte e Três Marias fui dormir cedo depois de um misto quente do hotel. Ele, seguindo o ritual, saiu com o carro da Hertz à desbravar a pequena cidade à beira do Rio São Francisco. No outro dia pela manhã me contava e mal conseguia comer o café-da-manhã tamanha a excitação por ter, segundo ele, encontrado ali naquele canto perdido da BR-040, “uma das melhores pizzas do mundo”.  Esse cara comia muito e levava muito a sério comer. Conhecia Ásia, Europa e bastante das Américas. Fora todo o Bixiga e a Mooca. Ele não podia estar blefando.

Nesse dia almoçamos, conforme indicação do dono da tal pizzaria à beira do Rio São Francisco, um surubim grelhado que eu jamais vou esquecer.

A noite fomos à pizzaria. Chegando lá ele me apresentou. “Joca, esse aqui é meu chefe de quem lhe falei ontem”. O lugar parecia uma casa, e era uma casa. Tijolo aparente, mesas coloniais de madeira vermelha, uma tevê ligada no Jornal Nacional e um cachorrinho vira-lata guardando a porta. Eu estava em Minas, pela primeira vez entendi aquele sotaque e os restaurantes mineiros temáticos que já havia ido.

Joca nos serviu uma pizza de mussarela, era realmente excepcionalmente boa. Uma massa crocante e queijo levemente tostado, simples demais. “Eu misturo vários queijos pra não ficar tudo muito igual”. Um “assemblage” de queijos, com um detalhe: queijo mineiro. Sim, é verdade, o queijo de Minas é melhor.

Li há alguns dias um texto no caderno Paladar  do Estadão sobre o evento “Cozinha do Brasil” que me inspirou a escrever este texto. Dizia: “Feito com leite cru, o quejo mineiro não podia cruzar as divisas de MG”. Verdade. Joca nos presenteou com 4 peças de queijo branco que “Só eu sei onde esse queijo é fabricado”, nos disse em tom de desconfiança mineira. Provamos esse queijo ali em sua pizzaria onde jantamos todas as outras noites. Embalado em isopor com papel alumínio e gelo, chegando em casa depois de horas de estrada e voos, o queijo estava estragado. Que saudade de Minas!

*A pizzaria do Joca existe e se chama Pinu’s Pizzaria (Av. Geraldo R. dos Santos, 11-A, Três Marias, MG – (38) 3754-2055).

Foto: imagemnativa

Deixe um comentário

Arquivado em Comida

Perfume!

Por Lili Marion* – vencedora de agosto da Promoção Deixa que eu pago

Montevideo!

Chuva, frio de 0 grau, muito vento!

Partíamos no dia seguinte e queríamos aproveitar mais um pouquinho os sabores de lá. Onde ir? Dia del Papa local! Restaurantes cheios, taxi escasso por causa do mau tempo.

Atravessamos a rua, era o mais prático, e chegamos no SA CUINA. Pequeneninho, sensação de estar na casa da minha vó. A proprietária muito simpática tentando contentar a todos num dia tão cheio! Sentamos no mezanino e de lá pudemos assistir, de camarote, cenas inesquecíveis… Vovôs que davam comida na boca dos netos, crianças que choravam pelo soninho que já chegava.

E agora, o que comer? 3 opções de cardápio para facilitar a vida de todos. Fomos no Risoto de cordeiro com maçã, mas como diria um gaúcho: arroz de carreteiro de cordeiro. Minha gente…que perfume! Quentinho de queimar o céu da boca! Estrelinhas brilhavam no meu interior por eu estar vivendo aquele momento junto com famílias uruguaias com um sabor todo perfumado do meu arroz, numa ótima compainha do pai dos meus filhos e de um ótimo vinho Tanat, num dia que parecia perdido pela chuva, pelo frio, pelo vento!

*Lili Marion tem 52 anos, é gaúcha naturalizada pernambucana e vive em Recife. Formada em Pedagogia pela PUC-SP, trabalha como gerente de recursos humanos de uma empresa multinacional.

Foto: Mercado del Puerto – por This is Spurious

Deixe um comentário

Arquivado em Bebida, Comida, Deixa que eu pago

Os lugares e suas estrelas (parte 1)

O Guia Michelin é referência pelos títulos que concede aos restaurantes através de uma quantidade de estrelas que varia entre 1 e 3. Mas nestes posts (serão 2) escreveremos sobre outras estrelas: aqueles itens que são maravilhas e por mais comuns que sejam, possuem em alguns lugares por onde passamos uma receita que os faz únicos. Neste primeiro, escreveremos sobre as coisas mais cotidianas e que podem surpreender ao serem comidas pela sua sublime inigualável existência em único um lugar.

A coxinha do Pátio San Miguel (Av. Higienópolis, 762, Londrina, PR) – Sim, começamos o post por uma simples coxinha. Você pode comer muitas por aí, mas a do “Pátio”, como é chamado em Londrina, tem a quantidade perfeita de massa e recheio. Nada a mais, nada a menos. Sempre quentinhas e fritas na hora, com uma crocância incrível por fora. Ninguém vai a Londrina para comer uma coxinha, mas se for até lá, prove.

A sobremesa “Capricho” do Frevo (R. Oscar Freire, 603, São Paulo, SP) – O Frevo é mais que uma lanchonete, mais que um restaurante, é uma entidade paulistana quase na esquina da Augusta com a Oscar Freire. Serve há décadas (eu vou lá há pelo menos 3) a sobremesa mais lambuzada que existe, o Capricho. Sorvete (creme, flocos ou chocolate), marshmallow, calda de chocolate e a “farofinha Frevo”. O marshmallow feito pelo restaurante faz dessa sobremesa que parece normal e sem graça um evento a quem curte um bom sorvete e a come.

O pão de queijo da lanchonete da Reitoria (Prédio da Univ. Federal do Paraná, entrada pela R. General Carneiro, Curitiba, PR) – O pão de queijo da lanchonete que fica no andar térreo do prédio da UFPR chamado de “Reitoria” é além de uma delícia, detentor de magia. Dizem alguns, que ali naquelas mesas da lanchonete, há anos sentava Dalton Trevisan com suas compras na Livraria do Chain (do outro lado da General Carneiro) e pedia esse mesmo pão de queijo com suco de laranja. É daqueles “massudos”, mas sempre quentinho.

O lombinho de porco do Komka (Av. Bahia, 1275, Porto Alegre, RS) – Uma churrascaria em um bairro residencial de Porto Alegre serve a la carte e nos faz voltar à década de 1950. O seu lombinho de porco é suculento e ao mesmo tempo bem assado como pede uma carne de porco. Quem quer comprovar a fama dos gaúchos como bons churrasqueiros não pode deixar de ir ao Komka.

A vitamina mista dos Lanches Itália (R. Cândido Lopes, 229, Curitiba, PR) – A mistura rosa é composta de abacate, mamão, morango, banana, sorvete de baunilha e açúcar. É para extremos, ou se ama ou não se suporta o sabor. Nós não precisamos dizer o que achamos, não é mesmo?

No próximo post falaremos das estrelas “mais elaboradas”. Até!

Foto: Frevo, Oscar Freire. Créditos de Mario Rodrigues para Vejinha on-line.

Deixe um comentário

Arquivado em Comida

Do que é feito um prato?

Por Beatrice Takashina, do Jacobina

Faz tempo que eu venho pensando sobre isso…

Parece que já vivo o momento escolhendo quais seriam as melhores palavras para descrevê-lo. Parar para sentir o que se está vivendo, abrir as portas da percepção. Explicar sensações, sentimentos por trás de pequenas coisas. Gestos bobos, movimentos comuns, cores corriqueiras, que nos fazem tão felizes, nos fazem sentir tão especiais. Parece que detalhando tudo isso o mundo seria melhor… As pessoas se preocupariam, ou melhor, se ocupariam com coisas mais humanas, mais pessoais. Gostar de coisas simples exercita o amor. E quem sabe estivesse aí a solução de tantos males… Um guia de pequenas coisas para se importar na vida, sem ser imperativa (há!), sem achar que posso explicar o mundo – nem o meu eu entendo…

Guia é uma palavra difícil, parece que vai dar o passo a passo de como sentir algo…. Ahhh! Não. Assim: como flagrar, em tantas coisas que nos acontecem à toda hora, portinhas para se ser feliz… E são tantas. Depois de um tempo tendo um restaurante, gostando cada vez mais de comer coisas gostosas, e agora estudando um pouco de como prepará-las, percebo que os momentos de felicidade e alegria, na sua grande maioria, estão relacionados ao comer. Assunto tratado já há um certo tempo, OK. Mas as fichas vão caindo. O prato perfeito é o momento: o lugar, a companhia, a bebida, a música, o cheiro, o clima… Todos eles juntos, alguns deles, ou apenas um basta para fazer daquela refeição a melhor da nossa vida. Para sempre. Ou até a próxima…

Foto: Gilson Camargo

1 Comentário

Arquivado em Bebida, Comida

Rabo de Galo

No último post falamos de drinks sofisticados bebidos por agentes secretos. Neste vamos contar um pouco da nebulosa história dos drinks, os coquetéis que dão a uma combinação de bebidas um papel à parte na cena da gastronomia.

O termo coquetel é a versão na língua portuguesa de “cocktail” que tem sua origem, como já dita, nebulosa. Porém a controvérsia é vencida pela etimologia da palavra em inglês: “cock” significa galo e “tail“, rabo. Sendo assim teríamos o termo “rabo de galo”, que segundo as diversas versões se deve a utilização de rabos de galos normais ou de rinha para ornamentar as bebidas.

Os Estados Unidos se refere ao termo no ano de 1860 em uma publicação chamada “The Balance and Columbian Repository” com uma citação explicando que: “‘Cocktail‘ é um licor estimulante, composto de aguardentes (destilados) de qualquer tipo, açúcar, água e bitters”. Os bitters são as bebidas amargas.

O famoso rabo-de-galo brasileiro é bebido em todas as partes, mas cada vez menos. Elevar esse drink ao status de bebida tão brasileira quanto a caipirinha, ajudaria a fazê-la figurar entre os personagens da nossa cultura. Vamos dar ao rabo-de-galo, o nosso cocktail (literalmente), o status devido. Abaixo a receita. Bebamos!

Rabo-de-galo

  • 1 medida de cachaça (vamos caprichar com uma Sagatiba ou Nega Fulô)
  • 1 medida de vermute (de preferência o Martini Rosso)

Modo de preparo:

Em um copo pequeno coloque primeiro o vermute e por cima a cachaça. Beba como aperitivo antes de refeições com pratos com mais gordura como a feijoada ou a rabada.

Foto: Mauro Holanda

Deixe um comentário

Arquivado em Bebida

My name is Drunk, James Drunk

Eu gosto muito dos filmes do agente 007. Esse último filme da série “Quantum of Solace”, como não poderia faltar, relembra um drink clássico e muitas vezes esquecido nos bares Mundo afora. Bond tem gosto por drinks clássicos como o Negroni. Experimente pedir um desses em algum bar legal que você perceba que tenha um barman experiente. Já fiz isso e certamente você verá que ele ficará feliz em parar com a repetição de 300 Cosmopolitan e 200 Caipirinhas que fez na semana para preparar algo que somente lembra da escola que o ensinou a profissão.

Assistindo o filme, vi Bond beber em um de seus voos transcontinentais, esse da Itália para a Bolívia, um Kina Lillet, feito com o “vinho de aperitivo” francês chamado Lillet.

Como não conhecia, provei o drink ontem. Seu sabor vale a pena pela mistura do Lillet (branco) com o gin e a vodca, que dão uma quebrada no amargor da bebida-base do drink. Em Curitiba se acha o Lillet em algumas lojas do Mercado Municipal, ou compre pela internet com o distribuidor para a América Latina.Segue a receita para quem quiser provar. Mas tem seu charme se pedido em algum bar, para fingir por alguns ébrios momentos que se é um agente secreto.

Kina Lillet

  • 3 medidas de gin (de preferência o Gordon)
  • 1 medida de vodca
  • ½  medida de Lillet (branco)

Modo de preparo:

  • Misture os ingredientes, agite em uma coqueteleira com gelo até ficar bem gelado. Sirva num copo fundo de champagne (goblet) com uma grande e fina fatia de casca de limão ou lima-da-pérsia.

Deixe um comentário

Arquivado em Bebida

Guerra fria e hambúrgueres

Um almoço simples e tipicamente americano para os presidentes dos EUA e da Rússia. Quem um dia assistiu à Guerra Fria jamais imaginou uma cena como essas. Hambúrgueres reúnem ex-inimigos históricos.

Barack Obama e Dmitri Medvedev comem hambúrguer no Ray’s Hell Burger, em Arlington, Virgínia, EUA.

Ray’s Hell Burger no Google Maps

Foto: Kevin Lamarque – Reuters

Deixe um comentário

Arquivado em Comida

Pão de Queijo da Haddock Lobo

Ao tomar meu café da manhã no Pão de Queijo Haddock Lobo percebi que beleza é reviver. Sim, é bonito, muito mais do que na minha infância, mas não tem nada mais espetacular no pão de queijo do Tião do que minhas lembranças de criança ao entrar nesse pequeno recinto de balcão refrigerado com uma cesta de vime média em cima, coberta por um pano listrado azul e branco igual ao da minha roupa de cama. Existe muita coisa além do sabor do pão, tem muita memória nisso. E a sensação nítida de quando levo pessoas conhecidas para comer o melhor pão de queijo do mundo comigo é de que para elas não tem nada demais além de um ótimo lanche, mas percebi ontem que assim como eu, a maioria dos que ali entram, querem comer um pedaço de coisas que têm sabores de infância, namoro e outros momentos bons. Assim se constata facilmente não pela fome ou satisfação gástrica, mas pelos olhares e expressões faciais iguais a mim. Quem não entende vá domingo de manhã entre nove e dez e meia tomar um cafezinho e comer um pão de queijo, é na Haddock Lobo entre a Lorena e a Oscar Freire, do lado direito da rua de quem desce, um toldinho azul anuncia.

Foto do post: Veja SP

1 Comentário

Arquivado em Comida

Cafetería Simpatia

O metrô de Madri é muito legal. Descer em qualquer estação, aleatoriamente, e caminhar sem rumo é um dos programas legais a serem feito na capital espanhola. Que segundo os conhecedores do país, é uma das poucas cidades onde se vê com frequência a bandeira nacional hasteada, nos demais se vê a da Catalúnia, de Astúrias, do País Basco, e por aí vai.

Voltando ao metrô: após uma manhã perambulando pelo Museu Thyssen-Bornemisza, tomei o metrô e desci no Parque del Retiro, depois de uma caminhada por ele, saí em frente a Puerta de Alcalá. Quem conhece a cidade, sabe que o atendimento em cafeterias e bares não é dos mais agradáveis, os atendentes são “muy objectivos”, pouca paciência e muita velocidade.

Mas morto de fome entrei em uma cafeteria na Calle Alcalá, número 54. O cardápio e o nome do lugar me fizeram escolher um típico hambúrguer com carne, quejo, alface, tomate e ovo “Dá-me un Simpatía!” – gritou o atendente ao cozinheiro. A Cafetería Simpatia é um lugar especial de Madri, com um lanche simples, mas perfeito, servido em um comprido balcão e com algo incomum: Simpatia.

Cafetería Simpatia: Calle Alcalá, 54, Metrô: Linha 2 – Banco de España

Foto do post: beegee74

Deixe um comentário

Arquivado em Comida